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São Tomé e Príncipe - a população crioula

A população crioula de São Tomé e Príncipe é constituída pelos descendentes de escravos africanos e colonos portugueses que vivem nas ilhas há gerações. Criaram uma cultura e uma língua únicas. O termo "crioulo" provém da palavra portuguesa "crioulo", que historicamente se referia a pessoas de ascendência mista europeia e africana nascidas na colónia. 

A população crioula de São Tomé e Príncipe é constituída por vários grupos.


Forros:

São descendentes de escravos africanos libertos. O nome "Forró" significa "livre" em português e sublinha o seu estatuto após a emancipação. Falam o crioulo forró, uma língua baseada no português (Crioulo Forró – Wikipédia).

mestiços

Estas pessoas têm ascendência mista africana e portuguesa e são frequentemente chamadas de "filhos da terra". Ocupam uma posição social especial dentro da sociedade crioula (grupo de direitos das minorias de São Tomé e Príncipe).

Angolanos

Este grupo descende de angolanos sobreviventes de um naufrágio no século XVI. Têm a sua própria língua crioula, o crioulo angolano, e são frequentemente incluídos em discussões mais amplas sobre a população crioula (São Tomé e Príncipe | Britannica).

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Línguas crioulas em São Tomé e Príncipe


Dentro destes grupos são faladas várias línguas crioulas, como o crioulo forro (falado por cerca de 36,2% da população), o crioulo angolano (6,6%) e o crioulo principesco (0,1%), evidenciando a sua diversidade cultural (Demografia de São Tomé e Príncipe - Wikipédia).

A população crioula difere de grupos como os Serviçais, que são trabalhadores contratados de países como Angola, Moçambique e Cabo Verde .

A definição de "crioulo" é objecto de debate constante. Algumas fontes sugerem que o termo abrange tanto os mestiços como os forros, enquanto outras entendem os forros como descendentes de escravos libertos e os mestiços como pessoas de ascendência mista. Isto reflecte a complexidade da identidade em contextos pós-coloniais.

História da população crioula em São Tomé e Príncipe


A história está intimamente ligada à economia colonial de plantação que se iniciou com a colonização portuguesa no final do século XV. As principais fases do seu desenvolvimento histórico incluem:

Colonização e povoamento iniciais (séculos XV-XVI)

  • Descoberta e primeiro povoamento: As ilhas foram descobertas pelos portugueses em 1470 e colonizadas em 1493. Como estavam desabitadas, os portugueses trouxeram condenados, crianças judias e escravos africanos de regiões como o Benim e Angola para ajudar na colonização da região.

  • A Era da Cana-de-Açúcar: Em meados do século XVI, São Tomé tornara-se o principal produtor de açúcar em África, dependendo fortemente dos africanos escravizados. Os escravos constituíam a maioria da população.

  • O aparecimento da sociedade crioula: A mistura de colonos portugueses e escravos africanos levou ao desenvolvimento de uma sociedade crioula. Os casamentos interétnicos fomentaram a ascensão dos mestiços e forros, que foram conquistando direitos, incluindo cargos administrativos. Começaram a desenvolver-se três línguas crioulas: o forro, o angolano e o principesco.

Declínio e Interregno (séculos XVII-XVIII)

  • Declínio económico: A ascensão da indústria açucareira brasileira diminuiu os lucros de São Tomé, levando a alterações económicas e a uma menor presença europeia. Durante este período, a população forró, em particular a elite, geriu a economia e os recursos locais.

  • Estrutura social: A sociedade Forro estava dividida, sendo que a elite possuía grandes propriedades e outros arrendavam parcelas mais pequenas, criando uma cultura que valorizava muito a propriedade da terra.

Segunda Colonização e Era do Cacau (séculos XIX e XX)

  • Alterações Económicas: Com a introdução do cacau em 1819, São Tomé tornou-se o maior produtor mundial de cacau em 1908. O restabelecimento do domínio português marginalizou a elite forró e, após a abolição da escravatura em 1875, levou à introdução de novos trabalhadores (serviçais). Muitos crioulos recusaram o trabalho nas plantações para preservar a sua identidade. Os criados (trabalhadores das plantações), conhecidos pelas duras condições de trabalho, suscitaram preocupação e protestos internacionais. O massacre de Batepá, em 1953, evidenciou as tensões étnicas e levou a mudanças políticas.

Após o período de independência (a partir de 1975)

  • Independência e mudança social: Após a independência em 1975, os Forros ganharam poder político e surgiram novas elites. As reformas agrárias da década de 1990 visavam a redistribuição das terras agrícolas, mas as desigualdades socioeconómicas persistem.

  • Situação atual: Prevê-se que, até 2025, a população de São Tomé e Príncipe cresça para aproximadamente 238.684 habitantes, sendo a população crioula uma parte significativa. A identidade cultural dos crioulos está em constante evolução e enfrenta desafios devido à crescente difusão do português como língua principal.

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