História de São Tomé - Rei Amador
Rei Amador é considerado uma figura fundamental na história de São Tomé e Príncipe, personificando a luta dos angolanos pela autonomia e pela resistência. Embora os detalhes da sua vida e governo sejam complexos e, por vezes, obscuros, o seu legado continua a repercutir-se no tecido cultural da ilha, sublinhando a importância das narrativas históricas na formação das identidades contemporâneas.

História de Rei Amador em São Tomé e Príncipe
São Tomé e Príncipe, uma pequena nação insular do Golfo da Guiné, possui uma longa história de resistência contra a opressão colonial. Rei Amador desempenhou um papel fundamental nesta resistência, particularmente entre os angolanos, um subgrupo da população crioula. Esta panorâmica apresenta um relato histórico de Rei Amador, examinando as suas origens, a sua liderança, as revoltas a ele associadas e o seu legado duradouro.
Origens e contexto na sociedade crioula
Rei Amador é considerado o líder dos Angolares, uma minoria dentro da população crioula de São Tomé e Príncipe. A população crioula é constituída por descendentes de escravos africanos e colonos portugueses e inclui vários subgrupos, como os Forros (descendentes de escravos libertos), os Mestiços (pessoas de ascendência portuguesa e africana) e os Angolares. Estes grupos partilham línguas crioulas e uma mistura de tradições europeias e africanas. Os Angolares remontam as suas origens a meados do século XVI. Crê-se que descendam de escravos angolanos que sobreviveram a um naufrágio por volta de 1540 e se estabeleceram no sul de São Tomé. Desenvolveram uma comunidade independente, baseada na pesca, o que lhes permitiu manter um certo grau de autonomia em relação ao sistema de plantações.
Algumas fontes académicas sugerem, no entanto, que os angolanos podem ser descendentes de escravos fugitivos (conhecidos como quilombolas) que escaparam aos proprietários das plantações no início do período colonial, o que complica a sua história de origem. Embora as origens precisas de Rei Amador não estejam bem documentadas, ele está associado a esta comunidade angolana, conhecida pela sua resistência ao domínio colonial português e pela preservação da independência na sua região isolada.

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A liderança e a revolta de 1570
Rei Amador é frequentemente reconhecido por liderar uma revolta contra o domínio colonial português em 1570, um ponto de viragem na história angolana. Segundo algumas fontes, organizou com sucesso os angolanos na sua luta contra a opressão colonial, permitindo-lhes alcançar um certo grau de autonomia. Esta revolta é celebrada como um símbolo da resiliência angolana, e o dia 4 de Janeiro foi designado como dia nacional de memória de Rei Amador.
No entanto, existem discrepâncias quanto à data exacta e aos detalhes desta revolta. Alguns artigos académicos, como "Colonialismo em São Tomé e Príncipe: hierarquização, classificação e segregação da vida social" de Gerhard Seibert, não mencionam explicitamente uma revolta em 1570, mas em vez disso enfatizam a resistência mais ampla dos Angolares. Isto aumenta a possibilidade de a data de 1570 se basear na tradição oral ou em relatos históricos menos bem documentados, o que justifica uma investigação mais aprofundada.
A Revolta de 1595 e a Confusão Histórica
A história de Rei Amador é ainda mais complexa, uma vez que fontes históricas documentam uma importante revolta de escravos em 1595, liderada por uma pessoa chamada Amador. Esta revolta, documentada na "História de São Tomé e Príncipe", resultou num levantamento bem sucedido contra as autoridades portuguesas e concedeu temporariamente o controlo aos escravos. Não é claro se este Amador era o mesmo líder de Rei Amador ou se estava associado aos angolanos, o que sugere que podem ter sido dois eventos distintos.
A distinção entre os acontecimentos de 1570 e 1595 realça uma potencial confusão nos relatos históricos. A revolta de 1570 pode referir-se a uma resistência anterior, menos documentada, por parte dos angolanos, enquanto a revolta de 1595 é geralmente considerada uma revolta de escravos. Como não há provas específicas de uma revolta em 1570 em fontes académicas, o relato de 1595 é provavelmente mais preciso historicamente, enquanto a ligação com Rei Amador representa uma atribuição cultural posterior.
Período pós-independência e situação atual
Após a independência em 1975, o legado do Rei Amador continuou a ser honrado e passou a fazer parte da identidade nacional. Os angolanos e os seus descendentes receberam a cidadania plena e os direitos iguais; no entanto, ainda enfrentam desafios socioeconómicos, particularmente em zonas rurais como São João dos Angolares. Esta cidade é central no seu património cultural, mas enfrenta uma pobreza generalizada; aproximadamente metade da sua população vive abaixo do limiar da pobreza.
Em março de 2025, a população de São Tomé e Príncipe era estimada em aproximadamente 238.684 habitantes. Os angolanos constituem uma pequena, mas integrante, parte desta população. A sua língua, o angolano, é falada por cerca de 6,6% da população, e as suas tradições culturais, incluindo a música e a dança, mantêm-se vibrantes. O legado do Rei Amador é um elemento central da sua identidade e simboliza a sua luta histórica e a sua resiliência contra a opressão colonial.
