Roça Fernão Dias
Roça Fernão Dias: Um lugar de memória em São Tomé
Imagine-se num lugar onde as ondas do Atlântico banham suavemente a costa, enquanto a história sussurra no ar. As palmeiras balançam ao sabor do vento e um humilde pilar de betão permanece como recordação de um passado trágico que moldou a alma da ilha. Bem-vindo à Roça Fernão Dias, uma pequena mas significativa plantação no norte de São Tomé, que é mais do que uma mera relíquia da era colonial. Situada no distrito de Lobata, a cerca de 10 quilómetros da capital, esta roça é um local de memória, ligado ao trágico massacre de Batepá, em 1953. Seja para explorar a história da ilha, descobrir vestígios da produção de cacau ou simplesmente apreciar a paisagem costeira, a Roça Fernão Dias é um local que o irá emocionar profundamente. Venha comigo e eu conto-lhe a sua história!
Onde fica a Roça Fernão Dias e porque é tão especial?
A Roça Fernão Dias localiza-se no distrito de Lobata, no norte de São Tomé, perto da costa e da pequena vila de Fernão Dias, que recebeu o nome em homenagem ao explorador português. A plantação é uma dependência da maior Roça Agostinho Neto (antiga Roça Rio do Ouro), uma das mais importantes plantações da ilha. Imagine um local onde a vegetação tropical abraça os vestígios de edifícios coloniais, enquanto a costa, com as suas praias e o Ilhéu das Cabras, uma pequena ilha junto à costa, proporciona um cenário pitoresco. Ao contrário das machambas de maior dimensão, como a Agostinho Neto, a Fernão Dias não era uma plantação independente, mas funcionava como uma unidade de apoio, com um pequeno porto que facilitava a exportação do cacau. Segundo fontes online como a Wikipédia, a Roça fazia parte de um sistema ferroviário avançado que a ligava à plantação principal, permitindo o transporte rápido da colheita.
O que torna a Roça Fernão Dias tão especial é a sua ligação ao Massacre de Batepá de 1953, um capítulo negro da história de São Tomé. A 3 de Fevereiro de 1953, numerosos trabalhadores e manifestantes locais que protestavam contra o trabalho forçado e a opressão foram mortos aqui, no cais de Fernão Dias, pelas tropas coloniais portuguesas. Os viajantes relatam, em pt.wikipedia.org, que ainda hoje circulam lendas, mencionando o tilintar das correntes ou os gritos das vítimas, conferindo ao local uma aura quase mística. Desde 1976, o massacre é comemorado anualmente com uma procissão juvenil da capital até à Praia de Fernão Dias, e em 1991 começaram a ser realizadas cerimónias religiosas no local. Um modesto pilar de betão, erguido em 1993, assinala este local de memória, e em 2015 foi inaugurado outro monumento aos mártires do massacre, na presença do Presidente Manuel Pinto da Costa. A Roça Fernão Dias é assim não só um sítio histórico, mas também um símbolo da resistência e resiliência dos são-tomenses.
A história: Era colonial e o massacre de Batepá
A história da Roça Fernão Dias está intimamente ligada à era colonial e à produção de cacau. No século XIX, São Tomé era o maior produtor mundial de cacau, e a Roça Fernão Dias, como filial da Roça Rio do Ouro, desempenhou um papel vital na exportação da colheita. Imagine o cacau a ser transportado pela pequena ferrovia desde a plantação principal até ao porto de Fernão Dias, de onde os navios levavam a preciosa carga para a Europa. A própria Roça era mais pequena e menos imponente que a plantação matriz, mas a sua localização costeira estratégica tornava-a essencial para a logística. Segundo o buala.org, a Roça fazia parte de um sistema hierárquico não só agrícola, mas também social, com casas de trabalhadores (sanzalas) e edifícios administrativos que refletiam a ordem colonial.
O Massacre de Batepá, em 1953, representa o desfecho trágico da história de Fernão Dias. Quando as autoridades coloniais portuguesas tentaram introduzir o trabalho forçado para aumentar a produção nas plantações, irromperam protestos entre a população local, que resistiu à opressão. No Pontão de Fernão Dias, muitos manifestantes foram capturados, amarrados e mortos, um acontecimento que afetou profundamente a ilha. Segundo a Wikipédia, o local foi mesmo escolhido como símbolo da assinatura de um contrato para um porto de águas profundas em 2008, o que sublinha a sua importância histórica. A demolição planeada do monumento em 2010 gerou uma forte controvérsia, demonstrando a profundidade com que a memória do massacre está enraizada na comunidade. Em vez disso, foi erguido um novo monumento na Roça, representando um colonizador a fustigar um trabalhador – um poderoso símbolo da opressão colonial.
A Roça hoje: um lugar de memória e turismo.
Hoje, a Roça Fernão Dias é um local tranquilo, menos desenvolvido para o turismo do que grandes plantações como Agostinho Neto ou Monte Café, mas não deixa de oferecer uma experiência comovente. Os vestígios de edifícios coloniais, cobertos por vegetação tropical, contam a história da produção de cacau, enquanto o memorial e a Praia de Fernão Dias, nas proximidades, mantêm viva a memória do massacre de Batepá. Segundo o rtp.pt, a zona faz parte da "estrada mais bonita da ilha", que serpenteia por entre paisagens verdejantes, e a sua proximidade com o Ilhéu das Cabras torna-a atrativa para os amantes da natureza. Pode visitar a Roça em visitas guiadas, que muitas vezes são combinadas com outras atrações como a Roça Bela Vista ou o Ecomuseu em Morro Peixe. Estas visitas oferecem informações sobre a história e a oportunidade de conversar com os habitantes locais que mantêm vivas as histórias do lugar.
Roça Fernão Dias faz também parte de um projeto de um porto de águas profundas, como é referido na fr.wikipedia.org, que está em negociação com a China desde 2019. Isto poderá mudar a região no futuro, mas, por enquanto, continua a ser um lugar de paz e reflexão. Os viajantes relatam o impacto emocional do local, sobretudo quando visitam o memorial e ouvem a história do massacre. A sua proximidade com a costa convida a um passeio, onde se pode respirar o ar salgado do mar e apreciar a beleza da costa norte.
Dicas práticas para a sua visita.
Para garantir que a sua visita à Roça Fernão Dias é perfeita, deixamos-lhe aqui algumas dicas práticas. A melhor altura para viajar é durante a estação seca, de junho a setembro, quando as estradas são de fácil acesso e o clima é ensolarado. A Roça fica a cerca de 20 minutos da capital, ao longo da EN1, e é facilmente acessível de carro ou táxi partilhado (aproximadamente 1.000–2.000 STN). Um veículo 4x4 é útil se planeia explorar os trilhos costeiros. Leve protetor solar, repelente de insetos e calçado confortável, pois os caminhos podem ser irregulares. Existe o risco de malária, por isso use roupas compridas à noite e repelente de insetos. Beba apenas água engarrafada para evitar problemas de saúde.
O dinheiro em numerário é essencial, pois os cartões de crédito não são aceites. Leve euros ou Dobra de São Tomé (STN), que pode trocar na capital. O sinal de telemóvel é fraco e não há Wi-Fi, por isso aproveite para se desligar do mundo digital. A segurança geralmente não é um problema, mas mantenha-se atento aos seus objetos de valor. O lixo pode ser um problema, por isso leve o seu lixo consigo para ajudar a manter a área limpa. As visitas guiadas, como a que é oferecida por Willy Mendes na Roça Agostinho Neto, podem também incluir Fernão Dias e proporcionar uma visão mais aprofundada da história.
Porque é que a Roça Fernão Dias deve estar na sua lista de viagens
Roça Fernão Dias é um local que o vai comover com a sua beleza serena e história profunda. É mais do que uma simples plantação – é um símbolo da resistência e resiliência do povo de São Tomé. Seja visitando o Memorial do Massacre de Batepá, explorando as ruínas das construções coloniais ou simplesmente apreciando a orla, encontrará aqui momentos que o tocarão profundamente. A combinação de história, cultura e beleza natural faz de Roça Fernão Dias um destino inesquecível.
Está pronto para descobrir a Roça Fernão Dias? Planeie a sua visita para a estação seca, leve dinheiro em numerário e deixe-se encantar por este local histórico de São Tomé. Consulte também os nossos guias sobre as Roças e a cultura de São Tomé para completar a sua aventura na ilha.